domingo, 16 de dezembro de 2007

Um velho menino ou um louco?


Sentiu arrepio na coluna e riu de nervoso. Não se lembrava a quanto tempo não ficava assim. Achou engraçado que suas mão estavam geladas. Suava frio. Tentava transparecer calma mas estava apavorado.Seus amigos não sabiam o que estavam acontecendo. Resolveu esconder de todos. O segredo parecia tão deliciosamente perigoso. Não se lembrava a quanto tempo vivia tão moleque. Parecia uma criança correndo atrás de um cobiçado brinquedo... Não tinha recordações de seus olhos brilhando tanto desde a vez que soltou pipa com pai aos nove anos de idade. E estava tão solto. Mesmo com o terno conseguia correr e jogas os pés bem pra trás. A gravata batia no rosto e a pasta teve que ser arremessada para deixar o corpo mais aerodinâmico

Não lembrava da última vez que ficara tanto tempo gargalhando sem nenhuma razão específica e sem nenhuma droga implicada. O excesso de riso causava dor no fígado e lágrimas... Que alegria!!! Como era boa aquela sensação. Percebeu que estava andando como se estivesse nas nuvens. Só esteve assim quando teve a primeira namorada. A doce Ângela. Nunca mais. A inflação não deixava. Tantas taxas bancárias, o desemprego, correrias, deveres e obrigações.
O que estava acontecendo com ele? Tornara-se um irresponsável? Depois de anos de seriedade. Não entendia o que estava havendo... Olhou as contas a pagar e a primeira vontade que teve foi fazer origami com cada uma delas. Conteve-se. Não era certo. Ia pagar primeiro e depois podia brincar. Nossa! Brincar! A quanto tempo, ele não brincava? Pegara no fundo do armário, os velhos carrinhos que tanto o entreteve na infância.
A família não reagiu bem... O afilhado de 3 anos, por outro lado, adorou. Brincaram por horas.
A namorada, os amigos, os pais, todos muito preocupados. Cada um tirava lenços de seus ternos e bolsas... Diziam, sérios e cinzas, que tinha que o internar. Um velho homem que passara ali interrompeu a discussão familiar. – “Deixe-o ora bolas! Ele apenas redescobriu os caminhos para felicidade...” A família o encarou com deboche. Mas ele ignorou. – “Ele está indo no caminho certo. O Homem que suspira como criança, cresce como um sábio....” Depois dessa frase, saiu sem por fim dar uma deliciosa gargalhada e desaparecer como em um passe de mágica. Enquanto isso, o enfermo da família corria de um lado para outro fazendo peixinho. A cada aterrisagem, uma sessão de risos. E a família só lamentando.

3 comentários:

Paty Augusto disse...

Lindo! Adorei o post! Como seria bom se as pessoas nunca perdessem a capacidade de ver o mundo com os olhos de criança, pelo menos de vez em quando.
Adoro seu jeito lindo de escrever, de observar o mundo...

Luiza Callafange disse...

Será que ele enlouqueceu pela atual sociedade alienada ou realmente percebeu como é bom descobrir ou redescobrir a felicidade pelos olhos de uma criança? As pessoas seriam muito mais felizes se buscassem um pouco do lado infantil que reside dentro delas, clamando por um pouco de alegria, não é mesmo?

Mare disse...

Deixem-o brincar de ser feliz, oras!