domingo, 11 de novembro de 2007

Vida sem rumo

Juro que vou tentar me controlar. Contei até 10, tomei um chazinho de camomila mas ainda assim posso desabafar com ira sobre este assunto. É que sempre chega fim de outubro e início de novembro me desespero com vestibular. Não por mim, é claro! Estou formado, mas fico uma pilha de nervos pelos pobres jovens que tem que fazer esse exame idiota que não prova nada. Não disse que só um chazinho não ia adiantar?

Vestibular e adestramento. Até hoje não vi diferença.
O aluno é adestrado a fazer uma prova de 5 horas com questões desnecessárias para “passar pra uma nova etapa”. Os que passam, vão pra faculdade e como pr~emio podem esquecer todas as decorebas inúteis que foram forçados a saber. Os outros recebem feno em cursinhos pré vestibular pra continuar o treinamento até aprender a pular mais alto. Luis Fernando Veríssimo sugeriu em uma de suas crônicas que o vestibular fosse soltar os candidatos no meio da Amazônia . E os que conseguissem sair estavam automaticamente classificados. As mães dos outros quando perguntado da sorte de seus filhos poderia responder emocionada: ele foi um dos que não voltou. Em vez de “é um burro que tomou ferro”. Em uma reportagem , vi um pai idiota dizendo que seu nervosismo era maior que do garoto. O menino pálido e o progenitor imbecil lá tranquilão conseguindo até sorrir.
Sei que estou perdendo a linha. Já pedi mais algumas xícaras de camomila pura com maracujá pra ficar mastigando ...
O que não acho justo é que o ensino de anos seja testado em algumas horas onde uma simples dor de barriga pode adiar um sonho por um ano. A complexidade desse sistema está em passar não os mais informados, inteligentes e sim, os mais adestrados. Eu fiz vestibular pra 6 lugares. 4 , eu queria demais e segui as normas padrões de dormir cedo, me alimentar bem e fazer a prova descansado. Em 2 outros lugares, eu sem achar que passaria, não me empenhei, fui a festas no dia anterior e dormi mal. Passei nesses e não nos outros.
Isso prova o que? Que quanto menos pressão, melhor o nosso resultado.


Para refletir: Que me importa se o médico que vai fazer uma cirurgia em mim, passou no vestibular A ou B? o que me importa é que ele tenha aprendido durante a faculdade e que faça o melhor pois eu confio minha vida a ele. Se ele sabe dissertar sobre o papel social do cinema, isso aí é extremamente desnecessário pra ele...
Garçom, camomila na veia e pode fechar a conta!

2 comentários:

Patrícia disse...

Duro, sarcástico, malvado mas 1005 verdadeiro.
seus textos são muito bons. atuais e ácidos. Do jeito que gosto.
beijos!

Kath disse...

Há muito mais o que se falar nisso tudo! É o vestibular nestes moldes que "cria" a necessidade de cotas para acesso daqueles que não tem condições de estudo. Balela, tudo isso.
Acha mesmo que a máfia, cartel e indústria caça-níquel das cursinhos vai aceitar que a prova seja reformulada?
Fato é que nenhuma instância do ensino formal é desenvolvida para explorar nossa inteligência como uma faculdade exuberante, e sim condicioná-la.
Ah, melhor para, se não falo demais, como sempre...