quarta-feira, 30 de julho de 2008

A um palmo da morte


Dizem que quando você passa muito perto da morte, seu corpo arrepia e até é possível ver seu capuz tecido pelo crepúsculo. Só sei uma coisa: passei bem perto dela e minha sorte foi que ela não reparou em mim. De quem é a culpa? De tanta gente que acabo não tendo dedos para culpar ninguém. Talvez seja dos assaltantes que trocavam tiro em plena 3 horas da tarde dentro de um túnel. Ou talvez das autoridades que não estavam no recinto ou da própria sociedade que não decide por um basta nessa violência.
Ou talvez, a culpa seja minha. Quem mandou eu ir pro trabalho naquele horário. Porque aquele ônibus e aquele caminho. O melhor era ficar em casa, eu sabia. Eu sabia.
Mas não fiquei. Ninguém que estava lá ficou. E enquanto o som metálico de tiros acertando a lataria iam aumentando, eu ia só pedindo por mais um dia de vida.Barganhando mesmo na maior cara de pau. Afinal quero ainda tantas coisas. Meu Anjo da Guarda me ouviu e distraiu a Morte. Só senti o arrepio e vi seu manto entre as traçantes no meio do túnel. Mas ela não olhou pra trás. E é só por isso que estou aqui escrevendo o texto de hoje.

Um comentário:

Mare disse...

Li um livro há um tempo atrás narrado pela morte. A protagonista encontrou com ela três vezes. A primeira, na morte do irmão. A segunda quando bombas soviéticas cairam na cidade alemã onde ela residia e a terceira quando ela morreu de fato.
Nunca passei pela situação que você passou hoje, mas fico feliz de estar aqui lendo esse texto, é bom saber que você continua vivo. Sua vida é importante pra mim e creio que para vários outros. Ainda acho que você será importante. (:
Tirando o foco de ti e colocando no ocorrido... Não sei de quem é a culpa, nem quero saber. Apenas repito aqui a grande frase que me chocou nesse livro citado que eu li:
"A última nota de sua narradora:
Os seres humanos me assombram."

Beijoca, Luiz !