domingo, 27 de abril de 2008

Não exagera- A tênue linha entre a melação e o romantismo



Sou aprendiz de poeta. Sempre fui. Desde os 7 anos. Daqueles que senta no sofá, conta estrelas e depois derrama o mel nos versos. E que lambança. Palavras açucaradas, doce escorrendo até a última estrofe. Veneno letal para diabéticos e afins. Uma danação.
Certa vez me apaixonei por uma punker e ela me ensinou a vomitar no papel. Eu era um anarco-punk. Viva o socialismo, a liberdade de expressão, o mal gosto de roupas e o preço do arroz na poesia. Viva os palavrões, as ofensas, os desabafos.
Aí, conheci gente mais leve, mais engraçada e juntei com o movimento anterior: Criei, com um amigo, um blog de espírito de porco. Zoar e falar mal mas com muita ironia... Os processos nas costas ainda não me fizeram esquecer essa época...
Depois, novamente movido a paixão, voltei a escrever poesias. Confesso que elas não estavam boas, afinal tão destreinadas... resolvi apelar pra crônica. Lá foi meu refúgio... Podia romantizar, criticar, ironizar e voltar a usar a maravilhosa licença- poética... Ou seja: Xingar a vontade, errar na gramática sem problema.
Hoje escrevo poesias. Mas sem tanto doce. O mel está caro. Hoje critico a desigualdade mas com mais inteligência do que gritos roucos de uma formiga. Hoje tento aproveitar mais o realismo da vida, do que a imprudência dos devaneios. Não que eu tenha parado de sonhar. Continuo contando estrelas, caçando cometas e suspirando com momentos felizes. Mas aprendi a respeitar diferenças, opiniões e críticas. E sabe? Posso até não voar até as nuvens e me tornar uma estrela. Mas meus textos, que hoje tem de diversos tipos, buscam acender o brilho de cada um. Espero que um dia, eu acenda o seu. Com mel ou sem: a preferência é do freguês.

3 comentários:

Paty Augusto disse...

Eu prefiro o mel... no meio de tanto absurdo não faz mal um pouco de melado. Porém de vez em quando também é necessário cuspir no papel, escarrar nas manchetes para lembrar a todos que só assim podemos colher o mel novamente...
Na verdade são momentos diferentes da vida, quando abrimos os olhos e conseguimos ver também o lado obscuro do mundo...
Adoro seus escritos... todos, sem exceção, do mais doce ao mais amargo. Para mim são necessários para me fazer sorrir e analisar o mundo a minha volta.
Obrigada por cada palavra!!!
LYTMAF
(desculpa o exagero!!!)

Hudson Pereira disse...

Gosto da poesia açucarada,sempre com tom de melancolia. Talvez porque eu seja assim,doce e triste.

Parabéns à vc que pode nadar por mares tão distintos. Eu fico na minha piscina de chantilly,às vezes azeda,ma eu consigo suportar.

Abraço Luiz!

Rafael Rigaud disse...

A tênue linha entre a melação e o romantismo?Já fiquei buscando o limite entre as duas coisas,e quando mais procurei,mais me perdi!!O fb1035,toda vez que esteve prestes a ler uma letra nova minha,eles que o digam!!!hahahahaha
um quebra costelas