quinta-feira, 3 de maio de 2012

Faz de conta


Faz de conta que nossos porcos são cavalos alados;
que as goteiras da laje são cachoeiras do jardim de inverno.
Faz de conta que o fedor do esgoto é maresia;
que os mosquitos são cobradores de imposto levando aquilo que os pertence.
Faz de conta que miséria é ter que viver cheio de grade em apartamentos longe do chão. Que a liberdade é poder diariamente buscar trabalho e voltar de mãos abanando e a pé.
Faz de conta.
Faz de conta de tudo isso, que no final, além de um lindo sorriso, seremos heróis.

3 comentários:

Mare Soares disse...

você é o meu herói :)

Marcia Lopes disse...

Faz de conta á a ordem que nos é dada todo dia...

jose vitor lemes disse...

Gostei! O teu poema explicita bem: “Fazer de conta” pode ser uma formula sem predomínio qualquer; preencher os espaços com o cotidiano inumerável.