sexta-feira, 24 de maio de 2013

Tire da tomada e vem pra vida

Ele tecla, tira foto, posta, curte, compartilha, pina, twitta, linka, faz upgrade, upload, feed, tem bookmark, faz storytelling.
Mas não brinca, não ri, não sorri, não se lambuza, não se joga. E é isso que me preocupa nessa nova geração... Será que estou errado, sendo careta, anti-tecnológico ( e postando em um blog antiquado)?
Sei lá, mas essa postura eu não curto! Vamos viver!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A lua...

Hoje olhei para a lua e vi uma dentuça. Uma menina no escuro com aqueles dentões branquinhos reluzindo. Sorri por não estar vendo apenas um satélite. ´´E um avanço".
Porque minha teoria é que existem dois tipos de gente. Os que veem a bola de queijo, o rasgão na toalha de Sâo Pedro ou a terra de São Jorge e aqueles que veem a lua.
Os primeiros sonham, brincam, se iludem, caem, choram, gargalham, festejam, vivem. Os outros vivem. E uma vida sem graça, sem charmes, sem aventura.
Eu por muito tempo, tive medo de estar me tornando um cara que fala apenas de lua como um obstáculo do universo. De falar da importância da chegada do homem até ela, de como ela pode se tornar uma excelente expeculação imobiliária...
Fiquei com medo de me tornar tão cinza e apagado como Flicts de Ziraldo ao achar que não tinha valor.
Mas a vida me ensina a crescer com sonhos. Conciliar a conta do aluguel com poesias, apesar de ainda estar difícil desabrochar todos os versos que sonho.
E dessa forma, ao ver que a lua é muito mais que uma coisa redonda no céu, abro um sorriso.
Porque  a lua é uma bola que alguem chutou muito alto e nunca voltou.
É um prato quando está cheia, é um sorriso quando está crescendo e um bumerangue quando está minguante.
Para você, o que é a lua?
Se ela for mais do que é, está ótimo.

domingo, 20 de janeiro de 2013

das bolhas para o ovni

Sabão.... Bolhas de sabão sobem na minha frente e me ttransferem para dias de infância com pés pequenos correndo atrás das pequenas circunferências quase transparentes que dançavam pro céu ou pro chão e faziam a alegria dos presentes.
E percebo bem, e e não eram bolhas de sabão... Não estou na infância, meus pés normais e grandes vestidos com roupa de festa. Sim, estou em um bar tomando um cocktail e possivelmente todas as reminiscências alertam que já bebi demais. A tal dança que veio na minha cabeça é um simulacro dos meus passos tortos tentando chegar até um local mais seguro.  Mas os passos agitados não permitem um andar seguro. Sinto-me  um alienigena no meio de beberrões endoidecidos que só querem prazer e orgia. Chego em uma cadeira, um casulo, um disco voador e enquanto a música fica cada vez mais psicodélica, me isolo na minha bolha de sabão, no meu planeta distante segurando e ingerindo meu passaporte para o escapismo: o cocktail de morango.


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

noite de histórias em casa

Começa o dia transbordando de rotina e termina na grande roda de improviso da vida. Na sala, pessoas com sorrisos perdidos, contando histórias do passado, buscando resgate. Qual a palavra mesmo? Reminiscência. No meu íntimo, uma certa inveja de não ter cabelos brancos e por isso não possuir o mesmo baú de fatos, datas e histórias.Mas também um privilégio de poder ouvi-las e captar suas histórias. E todas começavam com um... Aquela vez ou Teve um dia na época de Vargas. Pronto, e lá iamos nós fascinados embarcar naquela nau de naftalina com navegantes nada convencionais. E a poesia nos contamina, prolifera, nos envolve e alimenta.E eu até arriscco, agora, com o cessar da noite, me aventurar na contação de história. Aqui, no silêncio do mundo virtual com meus poucos mas maravilhosos leitores. Porque posso não ser um mago das palavras, um sedutor do discurso e nem ter histórias de dar inveja a Tom Sawyer. Mas sou um amante das memórias e sempre que posso arriscarei revitaliza-las, sem o glamour que elas merecem, mas com todo empenho que puder passar.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

1 X 1



22 de dezembro de 2012. O mundo não acabou. O sol já anuncia seus raios tímidos de forma mais que natural. As pessoas espreguiçam e demoram para abrir os olhos. Ainda ansiosas que algo ocorreu. Mas não. Tudo igual. Os mesmos problemas, sensação térmica. Condição normal de temperatura e pressão. O cachorro latindo, o vendedor de pães gritando as promoções de seus quitutes. O mesmo hálito, as contas em cima da mesa, as trágicas notícias do jornal matinal.

Na rua, as mesmas pessoas apressadas, o mesmo ônibus cheio, o chefe berrando vermelho como sempre. No almoço, a salada com alface e tomate e a quantidade rotineira de molho agridoce e o suco do dia. No escritório, o olhar zumbi, a apatia frequente, a melancolia habitual... Nem na volta da casa, há alteração do percurso. Chega no mesmo horário, se joga na poltrona empoeirada, só levantando para comer, banheiro e dormir.

O mundo não acabou. Nas expectativas, na esperança do abalo, na chance de revolução tudo se finda. O ponto final amargo, pois, vem com reticências. O continuísmo da mediocridade, da covardia e da desistência. Sem coragem para apitar o fim da partida de um alto de um prédio ou de uma ponte. Ou, então, de tomar as rédeas da vida e revolucionar com gols bonitos e cheios de graça.

Os Mayas não ganharam o jogo, porque a posse da bola é sua, companheiro.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Estrofe se repete

Numa noite morna, o seresteiro torna, depois de tanto silêncio.
Volta ao povo que é o seu lugar!
Os dedos dedilham destros no violão incerto.
Alegre de poder voltar!
A voz, vozeirão de rouco, ensurdece aos poucos as janelas tímidas.
Só mais uma vez, mas que se repita!
Restos de solidão, tristeza são varridos minguos.
E enfim padecem com a alegria do luar!
Canta cancioneiro, canta! No cavalo caramelo a canção tão cândida.
Para emocionar!
Passa, preguiçoso, passa! Puxando pito passeando.
Para nos convidar!
Nosso objetivo, eu brigo, é entrar na roda. Rodar jogo da vida vivo e reto.
Respeitando o verbo amar!
Ah! Volta carregando calos e cicatriz, mas um rosto matuto e até feliz!
Fede, mas ninguém o impede. Porque o cheiro é passado de quem atura e se aventura.
E vai continuar!
Porque todos tem total compreensão que o cancioneiro suma com sua canção.
Para voltar com a irmã saudade, que não tem idade.
Mas vai voltar!